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Entorno da rodoviária de Porto Velho vira cracolândia com barracas e sujeira




A visão já não era muito agradável da chegada a Porto Velho. Nossa rodoviária velha, malcuidada, suja e com mal cheiro não deixa boa impressão a quem desembarca à maior cidade de Rondônia.


De uns anos pra cá, o entorno do local que recebe quem chega em ônibus interestaduais e intermunicipais ganhou outro itens desagradáveis: usuários e vendedores de drogas.


Estes, se aglomeram em diversos pontos da rodoviária da capital: em frente à uma antiga loja de peças, à uma agência bancária que fechou as portas há pouco tempo ou em barracas (que lembram um pouco a Cracolândia no Centro de São Paulo), no canteiro central da Avenida Jorge Teixeira, que também deveria ter um pouco mais de atenção e cuidado.




Mesmo em localização privilegiada, rodoviária de Porto Velho está reunindo grande número de viciados e moradores de rua


Afinal, pela via que tem o nome do primeiro governador de Rondônia, passam as riquezas quem chegam e saem do nosso estado: soja, milho, madeira, carne, queijo, enfim, tudo o que o agronegócio proporciona aos cofres públicos.


Mas, parece que o poder público esqueceu ou simplesmente ignora o pedido de socorro de comerciantes, empresários (os poucos que ainda restam por ali), mas principalmente, pessoas que são dependentes químicas.


“Aqui é maior ‘pedição’ de dinheiro, comida e cigarros todo o tempo. Os poucos clientes que ainda vêm aqui, não tem sossego. Não me nego a dar comida e água, mas o problema são aqueles que pedem dinheiro para sustentar seus vícios. É complicado. Já pensei em fechar várias vezes, mas eu também preciso sobreviver com o pouco dinheiro que sobra daqui”, disse o dono de um pequeno restaurante que pediu para não ter a identidade revelada, em conversa com a reportagem.


Outros pequenos negócios próximos dali não resistiram à precariedade da região. Recentemente, além da agência de um grande banco nacional, dois pequenos hotéis e um bar, fecharam.



Mais uma barraca improvisada em frente à agência bancária que sucumbiu à precariedade da região


Segundo informações conseguidas pelo Rondoniaovivo, um grande empresário comprou os pequenos prédios por preços baixos e já começou a colocar tudo no chão. Só não se sabe o que vai (res)surgir dali, depois da retirada dos escombros.

Favelinha

Em meio as plantas ornamentais, que deveriam embelezar uma das principais vias de Porto Velho, há barracas precárias, onde pessoas ou famílias inteiras se amontoam. Passam o dia inteiro olhando para o nada, com desalento e falta de esperança no que pode acontecer.


Tem gente ali que veio de outros estados (ou países) que estão em busca de dias melhores. Porém, muitos são escravos de drogas como o crack ou merla, que são vendidas à preços baixíssimos, mas com alta poder de destruição da saúde e de suas vidas.



Em meio às plantas que deveriam embelezar, barracas surgem no canteiro central, com nossa cracolândia


“Soube de histórias de gente que tinha emprego, família bem de vida, mas preferiu abandonar tudo para mendigar aqui na rodoviária. Usam drogas o dia inteiro, pedem esmolas o dia inteiro. Sempre querendo a próxima pedra ou trouxinha de parada. Tem alguns que são parecidos com zumbis. Dá pena”, disse uma senhora que vende doces em frente à rodoviária, que também pediu para não ter o nome divulgado.


Ações públicas

O Rondoniaovivo entrou em contato com diversos órgãos dos poderes públicos para saber o que pode ser feito para melhorar o entorno da rodoviária de Porto Velho.


A primeira a ser procurada foi a Secretaria Estadual de Assistência Social (SEAS). A SEAS informou que participou de várias ações como parceira da Secretaria Municipal de Assistência Social e Família (Semasf), quando foram montadas tendas na região, em 2019. A secretaria estadual apontou que a responsabilidade da área é da Semasf.


A SEAS ainda divulgou que foram prestados diversos serviços no local. Não houve continuidade das atividades por conta da pandemia, mas que hoje a Prefeitura está cadastrando os moradores de rua.




Pelo menos 400 pessoas já foram atendidas nesse cadastramento e quando há interesse para o tratamento contra as drogas, o paciente é encaminhado à Superintendência Estadual de Políticas sobre Drogas (Sepoad), que é vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Sesau).


O coronel da Polícia Militar, Drayton Florêncio, coordenador Regional de Policiamento I, comentou por meio da assessoria de comunicação, que a PM tem feito patrulhamento na área e feito prisões. São operações pontuais no sentido de proibir o tráfico e outros crimes.


Municipal


O titular da Semasf, Claudi Rocha, informou ao Rondoniaovivo que a secretaria realizou o projeto Tenda Social em 2019, sendo a 1ª edição no dia 30/04 – em frente à rodoviária; No dia 15/06 – Rua: Equador, 2226 – bairro Nova Porto Velho, a 2ª edição, em frente ao projeto Levanta-te e Anda; e a 3ª edição no dia 31/10 de 19:00 às 23:00 horas, novamente em frente à rodoviária.


Segundo o secretário, durante a pandemia, a Semasf criou dois serviços que a equipe do serviço especializado de abordagem social tem trabalhado para atendimento ao imigrante e a população em situação de rua, em parceria com a Arquidiocese de Porto Velho, sendo, o abrigo provisório, que atendeu em 2020, 265 pessoas, além dos serviços de banho, alimentação e lavanderia realizados na Paróquia Sagrada Família.



Prédios já estão sendo demolidos na região. O que deve surgir dos escombros?


De acordo com a secretaria, a partir de solicitação de encerramento do convênio pela Arquidiocese de Porto Velho, os serviços de alimentação e banheiros químicos são ofertados no CREAS (Centro de Referência Especializado da Assistência Social), localizado na Avenida Prefeito Chiquilito Erse (Antiga Rio Madeira), 2707 – Embratel.


Ainda há o serviço do consultório na rua que é ofertado pela Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).



Fonte: Rondoniaovivo
Felipe Corona