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LUZ: Energia elétrica deverá ter reajuste de até 21,6% na região Norte


Na mesma fatídica semana em que anunciou a troca do comando da Petrobras, no mês passado, o presidente Jair Bolsonaro disse que meteria o dedo na energia elétrica, causando expectativas de que poderia interferir de alguma forma nas tarifas do setor.

Existe um bom motivo para tal preocupação. Depois dos alimentos no segundo semestre de 2020 e dos combustíveis no começo deste ano, o novo vilão que pressiona para uma alta da inflação promete ser a energia elétrica.

Na média, as tarifas para o consumidor comum devem subir 15,5% neste ano, pelas contas da TR Soluções, uma consultoria que acompanha de perto os reajustes feitos pelas distribuidoras de energia.

Os sinais de que uma alta importante vem pela frente começaram a ser sentidos pelo mercado corporativo. As empresas que compram energia no mercado livre, sem preços controlados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), já pagam uma conta muito maior neste início de ano.

Diferentemente do setor de combustíveis, que sofre aumentos sucessivos por causa da alta do petróleo no mercado internacional, as tarifas de energia elétrica estão subindo por uma combinação de fatores, dos quais o principal deles advém da própria natureza.

Desde outubro do ano passado, as chuvas começaram a rarear, justamente na época do ano em que se inicia o período de aumento do volume de água nos reservatórios das usinas hidrelétricas, com duração até março. Dessa vez, foi registrado o menor nível pluviométrico desde que a série histórica passou a ser aferida, há 91 anos.



A tempestade perfeita que se aproxima do setor elétrico promete trazer severas preocupações para o presidente Bolsonaro e a equipe econômica. Nas contas que estão nas mãos do ministro da Economia, Paulo Guedes, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é considerado a inflação oficial, promete superar os 6,7% em junho deste ano, no acumulado de doze meses, tendendo para os 7%.


“A inflação não era uma preocupação. Mas passou a ser”, tem repetido o ministro a seus secretários. Não espanta, portanto, que a contínua alta de preços, que era vista como transitória, acabou ganhando um caráter bem mais grave.


Na última quarta-feira 17, o BC pôs fim a um longo período de recordes de baixa de juros da economia, ao aumentar a taxa Selic em 0,75 ponto porcentual, elevando-a para 2,75% ao ano. Foi a primeira alta dos juros básicos da economia desde 2015.


Não fosse a ameaça da inflação, as taxas poderiam seguir em baixa justamente como forma de estimular investimentos nesta fase crítica da pandemia. Agora, não mais.


O risco vislumbrado pelos analistas de mercado e integrantes do comitê de política monetária do BC é o que provoca pesadelos em todo economista, a chamada estagflação — combinação temerária de estagnação econômica com inflação. Com a decisão do BC, aumenta a chance de o Brasil manter a meta de inflação prevista para 2021, de 3,75%. Isso se o galope nos preços da energia elétrica e a consequente reação em cadeia não atrapalharem essa equação.



Fonte: Painel Político