A incrível história da rondoniense que teve a mãe assassinada, levou 36 anos para encontrar irmão e o perdeu para a Covid-19

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Depois de travar uma busca implacável por sua família biológica nas redes sociais, Ana Paula Gama perdeu o irmão Roberto Carlos Souza para a covid-19, na manhã de sexta-feira (17), em Cuiabá (MT). Ela finalmente o reencontrou em dezembro do ano passado, junto com outro irmão, Florisvaldo Souza.

Em 2016, Ana Paula publicou em diversos grupos no Facebook a sua história. Atualmente moradora de Ji-Paraná, na região central de Rondônia, ela relembra que passou a infância em Cuiabá, provavelmente no bairro CPA. A mulher lembrava especialmente de seus dois irmãos mais velhos, Beto e “Nego”. Apenas o apelido do mais velho que ecoava na memória.

“Um eu chamava de Beto, na época devia ter uns 8 anos. E o outro chamava de Nego, que deveria ter uns 12 anos. O Nego tinha uma marca no pescoço, como se tivesse levado um coice. Morava com minha mãe, acho que o nome dela é Dirce e meu pai que se chamava Adão”, recorda.

Sem saber precisar o motivo, Ana Paula recorda que eles se mudaram para a casa da avó, próximo da rodoviária. A mãe dela então deixou os irmãos na casa, e se mudou com ela para Rondônia, acompanhada de um homem.

Ela não sabe dizer se a mãe foi com o homem por consentimento ou sequestrada, pois mais uma tragédia ocorreu em sua vida: o homem assassinou a mãe dela. Sozinha com o estranho, Ana Paula morou na região de Presidente Médici, em Rondônia.

“Em julho de 1984 o homem matou minha mãe e eu fiquei com só com ele. Uma família vizinha ao sítio informou à polícia sobre o que estava acontecendo e ele fugiu. Fui encaminhada ao orfanato e um tempo depois fui adotada”, conta.

A adoção dela ocorreu em março de 1985, quando Ana tinha por volta de 6 a 8 anos. Segundo os cálculos, ela saiu de Mato Grosso entre 1982 e 1983.

“Lembro que brincava de bicicleta com meus irmãos, na casa da minha vó, que ficava perto da rodoviária. E a rua terminava na próxima esquina. E quem conheceu minha mãe disse que ela era branca, alta, olho azul e cabelo liso”, recorda.

Munida das poucas informações, ela voltou ao sítio em que foi resgatada no dia 27 de novembro de 2011, onde conseguiu mais dados atualizados. Um dia depois, recebeu a notícia de que sua família biológica foi encontrada.

“Agora só preciso controlar a pressão pra programar o reencontro. Deus é bom!”, comemorou. Em dezembro, ela encontrou com os dois irmãos e publicou diversas fotos. Em uma delas, eles até usam uma camiseta, com a foto que simboliza o reencontro, que levou aproximadamente 36 anos para acontecer.

Porém, seis meses depois, Beto foi diagnosticado com covid-19. Na sexta-feira, a doença fez uma nova vítima e deixou mais uma família desamparada. Ele não resistiu e acabou falecendo. “Tanto tempo de busca e agora Deus o levou! Que Jesus conforte nossos corações”, lamentou Ana Paula.



Fonte: Gazeta Digital
Autor: Vitória Lopes